Projeto “1000 lugares para conhecer antes de morrer”

Lugar #22: República da Colômbia

memória de minhas putas tristes

O colombiano Gabriel García Márquez foi criado por mulheres e morreu idoso aos 87 anos. A princípio o título da obra choca quem está acostumado ao tratamento sensível que as mulheres tiveram do autor no seu clássico máximo, Cem anos de solidão. No entanto, o autor expõe o machismo extremo dos latino-americanos ao narrar a decisão de um nonagenário de ter uma noite de amor com uma virgem, o que serve de gatilho para relembrar seu relacionamento com as mulheres da sua vida.

É certo que nem todas pertenciam “à mais antiga das profissões”, mas é também verdade que o machismo trata a todas do mesmo jeito: são desprezadas, desmerecidas, exploradas, desrespeitadas, muito pouco amadas, desvalorizadas, abusadas, violentadas, estupradas, esquecidas. O protagonista não é diferente e consegue maltratar a todas. Seu amor pela menina virgem seria realmente para expiar a personagem ou uma forma de Gabo tentar mais uma vez jogar luz aos maus-tratos que as mulheres sofrem?

Muitos dizem ser o pior livro do escritor. Certamente, não é tão impactante quanto “Cem anos de solidão”, mas não é ruim. A capacidade de nos fazer refletir continua intacta.

A Colômbia de Gabo tem alegrias e tristezas como as cores fortes de Cartagena, mas me parece que é melancólica. As diversas tribos indígenas que habitavam aquele território geraram uma população miscigenada. No livro, em um acesso de raiva o protagonista se refere às putas como bugras. Deixando claro que as etnias indígenas não foram bem tratadas pelo Estado e a distribuição de renda é ruim, como acontece também aqui no Brasil.

A Colômbia tem uma longa tradição constitucional, teve uma das mais curtas ditaduras militares da América do Sul (1953-1957). A personagem principal é jornalista e descreve que há um censor no jornal onde trabalha.

Perdida entre a alegria e a tristeza, as cores fortes e a melancolia, entre as florestas e a cidade, entre as FARC e a inocência, entre os ricos e os miseráveis, entre os machistas e as putas, há um povo que luta contra a solidão. Assim como muitos de nós.

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Que importância têm os desconhecidos da multidão, caídos no percurso, esmagados sob as rodas? Os mortos tinham sido retirados, o sangue lavado e partia-se em frente, rumo ao futuro.

A besta humana, Émile Zola

Cómo el patriarcado desmanteló el matriarcado — Leonardo Boff

Cómo el patriarcado desmanteló el matriarcado Escrito por Leonardo Boff Es difícil rastrear los pasos que hicieron posible la liquidación del matriarcado y el triunfo del patriarcado, hace 10-12 mil años. Pero han quedado rastros de esa lucha de género. La forma como fue releído el pecado de Adán y Eva nos revela […]

via Cómo el patriarcado desmanteló el matriarcado — Leonardo Boff

Por um momento, o juiz pensou introspectivamente. Teria preferido uma promoção, pois calculava que lhe traria um aumento de mais ou menos cento e sessenta e cinco francos por mês e, na miséria decente em que vivia, era um bem-estar a mais, seu guarda-roupas renovado e a boa Mélanie mais bem-tratada, menos rabugenta. Mas a cruz não era de se desprezar. Além do que, havia a promessa. E ele que não se vendia, criado na tradição da magistratura honesta e medíocre, imediatamente cedia à simples esperança, ao vago compromisso que a administração pública assumia de favorecê-lo. A função judiciária não passava mais de uma profissão como outra qualquer e ele arrastava o peso da expectativa salarial, como demandante faminto, sempre disposto a se curvar às ordens do poder.

A besta humana, Émile Zola