Garotas mortas – Selva Almada

garotas mortas

Selva Almada é uma jornalista que nunca esqueceu um feminicídio do qual ficou sabendo na pré-adolescência e ele meio que a levou a uma obsessão por tentar entender o que aconteceu com essa e outras duas garotas argentinas na década de 80. Suas mortes nunca foram solucionadas e ela apela até para uma vidente para tentar saber mais sobre o que ocorreu.

Apesar de não haver solução para os crimes, a obra deixa claro que enquanto todas nós não lutarmos contra qualquer tipo de violência contra uma mulher, não haverá paz no mundo. A vida feminina tem muito pouco valor no mundo , apesar de sermos quem o enche de vida. Selva sabe desde criança que mulheres têm que tomar cuidado e aquelas que nunca foram abusadas têm muita sorte.

As buscas e entrevistas que a autora emprega são interessantes por trazerem sempre seu ponto de vista pessoal com detalhes interessantes. A falta de respostas nos instiga a pensar em quantos crimes com vítimas mulheres ficaram sem solução e com o tempo acabaram esquecidos. Deveríamos nos lembrar sempre e exigir providências. Penso que a humanidade jamais evoluirá realmente enquanto não tratar as mulheres com a deferência a que fazemos jus.

A escrita da autora é fácil e fluida, mas o tema machuca bastante. Leitura obrigatória.

Em Stamps, a segregação era tão completa que a maioria das crianças Negras não tinha a menor ideia de como os brancos eram. Fora isso, eles eram diferentes, deviam ser temidos, e nesse medo estavam incluídas a hostilidade do impotente contra o poderoso, do pobre contra o rico, do trabalhador contra o patrão e do maltrapilho contra o bem-vestido.

Eu sei porque o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou

I know why the caged bird sings, ah me,

When his wing is bruised and his bosom sore, –

When he beats his bars and he would be free;

It is not a carol of joy or glee,

But a prayer that he sends from his heart’s deep core,

But a plea, that upward to Heaven he flings –

I know why the caged bird sings!

Trecho de poema de Paul Lawrence Dunbar

Série “Pensando fora da caixinha”

Gregório Duvivier está fazendo uma sequência de vídeos críticos muito bons. O que foi publicado ontem, analisa a reação (ou não reação) do governo Bolsonaro ao vazamento de óleo na costa brasileira. Um gravíssimo problema para os pescadores e a população pobre de nossos estados, faz com que percamos inúmeros seres marinhos e nos impede de consumir peixes marinhos e frutos do mar devido a contaminação. Assistam ao excelente vídeo e nos ajudem a gritar por ajuda e cobrar atitudes mais rápidas dos governantes.

Sete anos – Fernanda Torres

Sete anos

Lançada em 2014 quando havia sete anos que a atriz tinha começado a escrever crônicas para diversas publicações, essa coletânea traz muitas recordações dessa conhecida atriz. Como a maioria dos seus trabalhos que assisti eram cômicos, eu esperava morrer de rir. Não foi o que aconteceu. O problema das expectativas, não é?

Sua escrita é fluida e o pai, falecido em 2008, aparece mais do que a sua famosíssima mãe. Não poderia deixar de ser já que o livro é mais sobre memória do que sobre presente. Como ela é sortuda por ter uma mãe presente e atuante aos 90 anos de idade! É para poucos.

Filme: Labirinto de Mentiras

labirinto

Alemanha, 1953. Um jovem promotor, que assim como outros nunca ouviu falar de Auschwitz, descobre que os nazistas andam livremente como parte da sociedade, inclusive dando aulas para crianças. Inconformado com a falta de julgamento pelos assassinatos, ele mergulha com pouquíssimo apoio nas investigações e muitas frustrações. Os alemães, mesmo que mal, fizeram esse julgamento e julgaram alguns de seus crudelíssimos pares.

O que me faz pensar em como o Brasil errou em não julgar os crimes ocorridos durante a ditadura militar. Deveríamos tê-los punido, demonstrando nosso desacordo com torturas, maus-tratos e homicídios perpetrados por quem quer que seja e desencorajaríamos neofascismos como o que nos governa atualmente.

Não é fácil, as descobertas abalam o jovem promotor e o levam a questionar todos ao seu redor. Assim, como teria acontecido conosco. Nem sempre o certo é fácil, mas deve ser feito.

Em tempo, Mengele não é julgado por ter amigos muito poderosos. Daí tendo conseguido escapar da justiça alemã e vivido tranquilamente no Brasil. No entanto, seus crimes são mencionados na obra para que o público não se esqueça de um dos piores vilões da humanidade.